O Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais (PSINDMG) levanta uma importante questão diante do mapeamento da saúde mental nas escolas brasileiras. Os dados revelam um cenário preocupante: entre 10% e 20% dos adolescentes enfrentam algum transtorno mental, com crescimento significativo dos casos de ansiedade e depressão na última década. Dados do SUS apontam aumento expressivo nos atendimentos de jovens de 10 a 19 anos entre 2013 e 2023. Além disso, 57% dos estudantes afirmam não se sentir amparados no ambiente escolar, evidenciando a urgência de ações estruturadas e permanentes.
O impacto vai além do sofrimento individual. Bullying, racismo, sobrecarga emocional e dificuldade no manejo das emoções — relatada por 34% dos pais — comprometem o aprendizado, fragilizam vínculos e contribuem para a evasão escolar. Apenas 20% dos alunos se sentem verdadeiramente acolhidos, o que demonstra que o cuidado com o bem-estar precisa ocupar lugar central nas políticas educacionais.
O PSINDMG sabe que a instituição da Lei 14.819/2024 representa um avanço importante ao fortalecer a Política Nacional de Atenção Psicossocial e ampliar o olhar sobre a saúde mental no ambiente educacional. Experiências bem-sucedidas mostram que práticas como escuta ativa, rodas de conversa, atividades lúdicas e a construção de ambientes seguros fazem diferença concreta no cotidiano escolar, especialmente quando articuladas entre educação, saúde e assistência social.
Para o Sindicato, é fundamental defender a institucionalização dessas práticas, com monitoramento contínuo, formação permanente dos educadores e valorização dos profissionais da educação. Cuidar da saúde mental nas escolas também significa cuidar de quem educa.
Garantir suporte psicológico e condições dignas de trabalho aos professores é um passo essencial para construir um ambiente escolar mais humano, inclusivo e promotor de bem-estar.


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