Recentemente, tive a honra de receber no PsindMGpod — o podcast do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais, Dra. Paula de Paula, professora da PUC Minas e doutora em Psicologia Social.
A conversa tocou em uma ferida aberta da categoria: a precarização do exercício profissional.
Muitas vezes, a sociedade espera que psicólogos e psicólogas sejam figuras imunes ao sofrimento, mas a realidade é que estamos inseridos na mesma lógica de precarização que afeta toda a classe trabalhadora.
Os principais pontos debatidos foram:
- A “Plataformização” da Clínica: Como o atendimento online e as grandes plataformas de intermediação podem perverter a relação terapêutica, transformando pacientes em “clientes” e profissionais em reféns de algoritmos e valores aviltantes.
- Desamparo Trabalhista: A falta de concursos públicos e a substituição por contratos terceirizados (OSs e OSCIPs) retiram garantias básicas como férias e 13º, gerando uma insegurança que impacta diretamente na saúde mental do psicólogo.
- A Ilusão do Mérito Individual: A Dra. Paula foi enfática: as lutas (como as 30 horas e o piso salarial) não podem ser delegadas apenas a diretorias. Elas precisam ser orgânicas e coletivas. Sozinhos, apenas reproduzimos privilégios; em coletivo, construímos força.
- A Ética e o “Leilão” da Profissão: Refletimos sobre o impacto dos atendimentos a preços irrisórios e como a formação política é essencial para que o profissional saiba valorizar seu trabalho sem ferir o código de ética.
A saúde mental não pode ser tratada de forma individualizada enquanto a estrutura de trabalho for doentia. O sindicato existe para que o profissional não precise lutar sozinho.


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